domingo, 9 de outubro de 2011

Grupos sociais silenciados em rumo a uma nova História

Por Giselle Lima

O que é silenciar a vida afinal? Seria a morte? O nosso corpo sempre age até o último minuto para reverter o desequilíbrio interior, como também o é na História, ou seja, sempre mudando cenários ou pelo menos tentando e batalhando. A homeostase é constantemente buscada no interior dos corpos e mentes e no interior dos grupos sociais menos favorecidos, também vítimas da borracha da historiografia.
Concepções de superioridade e inferioridade são descritas na historiografia, porém será que são reais ou são escritos muitos mais silenciadores da verdadeira História oficial? É nítido que os livros didáticos de História e Geografia, por vezes, silenciam povos, tribos, culturas, famílias e a individualidade de inúmeros seres humanos. O que é legítimo em História? Algo é certo sabemos muito pouco sobre ela, afinal o que não se encaixa nela é somente o que ainda não aconteceu, pois do que sobra tudo faz parte.
O mais triste é saber que muitos professores não instigam a pesquisa desde a tenra idade, a busca pelo saber acaba se resumindo em folhas rasgáveis dos cadernos que podem ser cobrados em atividades, provas, vestibulinhos etc. O próprio ensino acaba silenciado as mentes, impedindo inputs ao sistema nervoso para descobrir e aprender novas Histórias. Como seria bom se os grupos excluídos fossem estudados, quem sabe assim os preconceitos seriam amenizados e as diferenças mais aceitas.
Os negros e os indígenas são apenas dois grupos considerados por muitos como sendo inferiores, mas não se pode esquecer que dentro destes dois grupos existem ainda inúmeros subgrupos que trazem beleza e exuberância à História da humanidade. Aprender sobre isso na escola ainda está longe de se efetivar em nossos dias, pois muitos se fixam em livros didáticos limitantes e não abrangentes.
          Atividades que englobam a História, a Geografia e a Literatura devem trazer para as salas de aula desde a Educação Infantil a diversidade social e cultural que compõe o país e o mundo. Conforme Fanon (2008, p. 53) “o homem é movimentado em direção ao mundo e ao seu semelhante”. É necessário levar em consideração que o semelhante não deve excluir o próximo se referindo à quantidade de melanina da pele ou aos hábitos e costumes que seguem, devem-se levar em consideração os Direitos Humanos que englobam a todos os seres humanos, ou ainda, a todos que se encontram na classificação de Homo sapiens.
O Brasil sendo um país rico em diversidade cultural deve deixar de ser preconceituoso, racista e excludente para enxergar e aceitar a sua verdadeira identidade no mundo, ou seja, o país mais colorido que existe, ou ainda, a Amazônia mundial. Os professores devem deixar de limitar o ensino com uma visão unifocal para começarem a serem educadores e estimuladores da curiosidade e da busca pelo saber constantemente, ensinarem a partir da maior escola que existe: a vida.
Imagem disponível em: <http://www.unesco.pt/cgi-bin/cultura/temas/cul_tema.php?t=17>.
 Acesso em: 09/10/11 ás 10:20).

 
REFERÊNCIA

FANON, Frantz. Pele negra e máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008. 194 p.

SELBACH, Simone. História e Didática. Petrópolis: Vozes, 2010. 158 p.

Pedagogia Empresarial na atualidade

Disponívele: <http://www.youtube.com/watch?v=MD1-9tcYhwY&feature=related>. Acesso em: 18/10/2011.

Por Giselle Lima

É visível que a partir da Revolução Industrial, ocorrida em meados do século XVIII, até os dias de hoje sucederam-se inúmeras mudanças significativas no modelo de produção. As transformações sociopolíticas, econômicas e a expansão das expressões culturais foram aparecendo com mais força. Novos modelos no campo do trabalho como o sistema Fordista e Taylorista nos Estados Unidos e o sistema Toyotista no Japão expandiram.
A visão capitalista começou a se tornar mais abrangente buscando produzir em maior quantidade, com menor custo e em menor tempo, tendo como meta final o lucro e a satisfação dos clientes, ou melhor, dos consumidores. Muitas vezes para suprir às demandas de produção as tecnologias começaram a tomar lugar de trabalhadores, levando a desempregos e usurpações de jornada de trabalho e salários ínfimos.
Uma triste colocação de Frederick Winslow Taylor em vida foi “o sistema de produção é mais importante do que as pessoas” (CARLOS, 2006), sendo ainda eternizado de maneira negativa como explorador da mão-de-obra. Henry Ford criou a ideia de produção em série e marcou a história da empresa, tendo influência na formação da classe média e do mercado consumidor. Mudanças que como se pode observar deram novos rumos à comercialização vinda da economia feudal.
Trocas de mercadorias, criação de animais e pequenas plantações mudaram da água para o vinho no decorrer dos anos. Por mais que ainda hoje se vê grupos que vivem destas modalidades, neste caso são os excluídos da sociedade, pois os grandes empresários são donos de multinacionais, hectares de terras que ultrapassam as fronteiras, criadores de gado de inúmeras cabeças e de uma infinitude de outras abrangências na ciência e tecnologia. A idéia mudou da adição para a multiplicação.
O sistema Toyota de produção é um exemplo de expansão, alta tecnologia e organização para lucrar e sobreviver até mesmo durante as crises econômicas. Porém, por mais que se invista em maquinários e produza produtos de qualidade, antes de tudo se faz necessário investir na capacitação das pessoas desde os funcionários até a chefia, ou seja, investir na educação da empresa, na união de ideias para um bem comum e um bem social. Formando pessoas mais responsáveis e solidárias uma com as outras. Parece até ficção, como querer juntar o lucro com o social, buscando principalmente o segundo, mas sem quebrar nenhum lado? No sistema capitalista vigente é difícil mais o democratizando quem sabe alguns passos não sejam vistos?
A Pedagogia Empresarial é uma área nova no campo da Pedagogia que pode ajudar a democratizar o capitalismo, ajudando as empresas a cresceram, mas não em detrimento das necessidades humanas, pois as pessoas são mais importantes do que os sistemas de produção. O mercado de trabalho não precisa de humanos robotizados, mas de humanos mais humanos. Nisto o profissional pedagogo detentor de uma função social de intervenção no processo de ensino e aprendizagem nas empresas pode ajudar.
A educação nas empresas é o maior passo para o sucesso. Empresas fechadas em rituais e tradições sem abertura ao novo são como madeiras podres, podem até serem usadas para produção de cadeiras, mas não servem para sentar. É necessário plantar novas ideias propiciando assim madeiras de boa qualidade que consigam seguir o ritmo do século XXI, não vou falar que tudo que é antigo é ruim, pois até mesmo madeira podre serve de moradia para fungos, pequenos animais e detalhes para obras de arte. Passar verniz por cima ou óleo de peroba não adiantaria, pois a mudança deve partir de dentro da empresa, não de seu exterior e de seu marketing muitas vezes maroto.
É necessário ter em mente que a vida é uma constante mudança, com altos e baixos como na bolsa de valores, porém propicia novas experiências. Na lógica só paramos de produzir quando morremos, mas em vida aqui na Terra é impossível querer separar a ideia de progresso, avanços tecnológicos, novos sistemas, excluindo deste cenário grande parte dos protagonistas, ou seja, as pessoas. O capital precisa aprender a ser um pai mais afetivo, não deixar morrer os filhos da sociedade na porta da empresa. As mudanças circulam soltas e se faz necessário lutar pela expansão de uma Pedagogia Empresarial global.

Disponível em: <http://livroaberto-01.blogspot.com/>. Acesso em: 08/10/11.


REFERÊNCIAS

CARLOS, Cássio Starling. O senhor do tempo: Frederick Winslow Taylor. Disponível em: <http://historia.abril.com.br/2006/edicoes/personagens/mt_200835#texto>. Acesso em: 08/10/11.

HOLTZ, Maria Luiza M. Lições de Pedagogia Empresarial. MH Assesoria Empresarial Ltda. Revista e ampliada em novembro de 2006, Sorocaba (SP). Disponível em: <http://www.mh.etc.br/documentos/licoes_de_pedagogia_empresarial.pdf>. Acesso em: 08/10/11.

sábado, 8 de outubro de 2011

ABC da educação


O que o AMOR tem haver na hora de educar? Só quem ama educa realmente.


Observação: aperte em cima da figura para ampliá-la.

Por Giselle Lima


Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

(http://www.youtube.com/watch?v=1KskJDDW93k)

Geraldo Vandré


Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer


Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe deve agir e não retroceder. A Educação parece retroceder ao invés de ir avante. Vamos abastecer a Educação para que ela não pare no caminho, mantenção ela precisa, mas há trabalhadores, o que falta exatamente é outra coisa: compromisso e respeito pela vidas. Há educadores, mas inúmeros deseducadores e acomodados. Precisamos dar uma boa base educativa para as crianças, para tentar mudar pelo menos uma linha da trágica realidade. O amanhã só é possível pelo hoje.


Por Geisana Mendes e Silva

ÉTICA E PLURALIDADE CULTURAL

Imagem disponível em: <http://blogs.cultura.gov.br/diversidadecultural/page/4/>. Acesso em: 08/10/11.

Por Giselle Lima

Para discutir sobre pluralidade cultural se faz necessário primeiramente se retornar ao conceito de ética e moral, sendo que ambas não são sinônimas (BOFF, 2003, p.37). De maneira geral a ética faz parte de normas que buscam tornar a vida na Terra mais habitável (BOFF, 2003) e a moral diz respeito à vida concreta individual de cada pessoa. Segundo o mesmo autor, por ética se entende as concepções acerca da vida, instituindo princípios e valores que orientam as pessoas e as sociedades. Diz respeito às reflexões sobre a conduta humana, sendo determinada por lei e é construída em conjunto. Por moral se entende a expressão pela prática de costumes e valores consagrados, individualmente construídos, acaba por ser a posição pessoal frente à ética. A pessoa pode ser moral, mas nem sempre ética.
É importante retornar à ética e à moral, pois quando se refere à pluralidade cultural é necessário ter respeito à diversidade e ter uma posição ética e moral de consideração frente à exuberância que constitui a humanidade, sendo que “a diversidade marca a vida social brasileira” (MEC 2, 2000, p. 28). A sociedade contemporânea está imersa em leis, porém a moral muitas vezes se perde devido à falta de uma efetiva cidadania e a ética capenga, pois até mesmo algumas leis acabam sendo contraditórias.
“A sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, contraditoriamente, cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas” (BOFF, 1999, p. 11), ou seja, o direito de expressão muitas vezes é silenciado por sistemas excludentes da sociedade capitalista e isso acaba por excluir e não concretizar o direito a todos, levando a solidão, formando os núcleos dos excluídos socialmente, nestas horas as classes suburbanas acabam sendo as mais atingidas e prejudicadas. É triste saber da falta de uma comunicação amorosa e compreensiva, afinal “somente na comunicação tem sentido a vida humana” (FREIRE, 1987, p.64).   
Quando pensamos em raças logo vêm em mente pelo menos quatro palavras: branco, negro, amarelo e vermelho. Porém é necessário ir muito além da quantidade de melanina presente no genoma humano que influencia na cor da pele, ir além dos genes que garantem a cor dos olhos, o tipo de cabelo, a estatura etc. É devastador comparar o negro com pobre e ladrão, o branco com rico e bem sucedido, o amarelo como o baixinho e intelectual, e ainda o vermelho com a pessoa que usa penas na cabeça e anda despida. Esta visão formada parte do senso-comum e é constantemente difundida ainda nos dias de hoje.
Infelizmente nem sempre as pessoas enxergam a diversidade e pluralidade cultural que compõe o Brasil como uma riqueza nacional, fixam-se em estereótipos. Quem ouve falar que na década de 70 no Brasil existiu um negro intelectual chamado Milton Almeida dos Santos, advogado e geógrafo, que marcou os estudos da Geografia no Brasil? Quem ouve na escola que no Brasil existem pelo menos cerca de 206 etnias indígenas sendo que cada uma tem uma identidade própria? Ou ainda quem disse que todo branco é bem sucedido ou que os corruptos não são brancos? Quem sabe a influência dos asiáticos no comércio em São Paulo?
Isto só prova que a discriminação quanto às raças é uma ignorância que surge com a visão do mundo eurocêntrico, onde a Europa é o centro. O Brasil como colônia, mesmo após a independência continua vítima da visão “esbranquiçada” mesmo sendo o país mais "colorido” do planeta. Há manifestos de grupos negros que prezam pelo termo raça, pois o mesmo lembra o racismo, não porque é uma palavra agradável, mas que lembra o preconceito que ainda sofrem devido à cor, lutam para mostrar que são gente como qualquer um, deve ficar claro que racismo não é só referente ao negro, mas a todo tipo de “raça”.
O termo raça tem uma visão dupla, pois depende se estamos falando em sentido reivindicado pela biologia genética ou pela sociologia (GUIMARÃES, 2003, p. 96). A biologia e a antropologia física criaram a idéia de raças humanas, ou seja, a idéia de que a espécie humana poderia ser dividida em subespécies, tal como o mundo animal, e de que tal divisão estaria associada ao desenvolvimento diferencial de valores morais, de dotes psíquicos e intelectuais entre os seres humanos. (GUIMARÃES, 2003, p.96)
A nomenclatura “raça” ainda percorre o senso comum, mas vem sendo evitada pelas ciências sociais pelo fato dos usos pejorativos que alimentam o racismo e a discriminação, já para as ciências biológicas, raça se refere à subdivisão de uma espécie que tem atributos hereditários (MEC 2, 2000, p. 44-45) como já foi descrito. O conceito assenta-se em um conceito biológico e foi utilizado na tentativa de demonstrar uma relação de superioridade e inferioridade entre os grupos humanos (MEC 2, 2000, p. 44) e isto pode ser mal interpretado e gerar formas diversas de discriminação.
O que chamamos de racismo não existiria sem essa idéia que divide os seres humanos em raças, em subespécies, cada qual com suas qualidades. Foi ela que hierarquizou as sociedades e populações humanas e fundamentou um certo racismo doutrinário. Essa doutrina sobreviveu à criação das ciências sociais, das ciências da cultura e dos significados, respaldando posturas políticas insanas, de efeitos desastrosos, como genocídios e holocaustos (GUIMARÃES, 2003, p. 96).
Ainda se percebe que a questão da raça influencia muito nas manifestações de discriminação, exclusão e violência contra a pluralidade genética, cultural e até mesmo social. O que mostra cada vez mais a falta da difusão de uma visão social fundamentada nos Direitos Humanos. “O Brasil não é uma sociedade regida por direitos, mas por privilégios. Os privilégios, por sua vez, assentam-se em discriminações e preconceitos de todo tipo: socioeconômico, étnico e cultural” (MEC 2, 2000, p. 20).
Para almejar o respeito e para evitar os equívocos busca-se substituir o termo raça pelo conceito etnia, já que a mesma tem base cultural, por etnia entende-se um grupo étnico que se diferencia dos outros por sua especificidade cultural (MEC 2, 2000, p. 47). Não tem como fugir do social e por cultura se entende tudo aquilo que o homem produz, fugindo assim do caráter meramente genético e discriminatório da terminologia raça.
É necessário criar-se uma consciência de que todas as pessoas têm direitos e deveres e segundo a Declaração Universal de Direitos Humanos (1948) art. I “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, e ainda a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 coloca a discriminação e o racismo como crimes (MEC 2, 2000, p. 86).
Não tem sentido descriminação, visto que é na diversidade que se alimenta a evolução humana e a perpetuação da espécie, a pluralidade genética, cultural e social não devem ser motivo de desavenças, mas de trocas e aprendizagens. Afinal, todos os seres humanos são membros de uma mesma humanidade e as diferenças surgem em decorrência às culturas distintas (GUERRIERO et al, 2009, p. 13) e da beleza da genética, porém todas são complementares e presentes em um mesmo planeta.
“O preconceito é contrário a um valor fundamental: o da dignidade humana. Segundo este valor, toda e qualquer pessoa, pelo fato de ser um ser humano, é digna e merecedora de respeito. Portanto, não importa seu sexo, sua idade, sua cultura, sua raça, sua religião, sua classe social, seu grau de instrução, nenhum desses critérios aumenta ou diminui a dignidade de uma pessoa” (MEC 1, 2000, p. 102).  Por isto quando se reflete com relação a tudo o que foi exposto até aqui, percebe-se que a relação humana não deve apresentar acepção de pessoas, não é por que é branco ou negro ou amarelo ou vermelho, mas porque antes de qualquer raça ou etnia, posição social, cultura e religião, há um ser humano que tem que ser valorizado e respeitado em sua dignidade. Há um ser que respira assim como você.

22 de Setembro de 2011

 
REFERÊNCIAS

BOFF, Leonardo. Saber e cuidar: ética do humano e compaixão pela Terra. 5 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. 199 p.

BOFF, Leonardo. Ética e moral: a busca dos fundamentos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 125 p.

DECLARAÇÃO Universal de Direitos Humanos de 1948. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm>. Acesso em: 21/09/2011.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
GUERRIERO, Silas, et al. Antropos e Psique: o outro e sua subjetividade. São Paulo: Olho d’Água, 2009. 153 p.

GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Como trabalhar com “raça” em sociologia. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 93-107, jan/jun. 2003.

MEC 1. Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais: ética. Secretaria de Educação Fundamental. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. 146 p.

MEC 2. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural: orientação sexual. Secretaria de Educação Fundamental. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. 164 p.

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Por Jéssica Santos Silva

 Com base na leitura do livro “O espaço geográfico: ensino e representação” (ALMEIDA; PASSINI, 2010) foi possível adquirir alguns ensinamentos quanto ao ensino de Geografia para com as crianças. O professor deve ter em mente que elas nem sempre compreendem os conceitos espaciais usados pelos adultos. Por isso na escola é essencial que o professor dos anos iniciais trabalhe a importância de ler mapas, uma vez que o mapa é uma representação de qualquer espaço real, o professor dos anos iniciais do ensino fundamental deve ter a consciência de que preparar o aluno para a leitura de mapas é tão importante quanto alfabetizar. É necessário ter o cuidado de confundir o ensino da Geografia com Educação Artística, ou seja, não é aconselhável colocarmos as crianças para pintar mapas.
 Existe uma ligação do ensino de Geografia com a teoria de Jean Piaget (1974), que diz que a criança na idade do pensamento concreto precisa agir para construir conceitos e edificar conhecimentos, ou seja, a criança deverá elaborar mapas para que se torne um leitor eficaz. A importância da criação de mapas pelas crianças fundamenta-se em obedecer a um sistema de projeção para que haja uma coordenação de pontos de vista e que as mesmas possam se familiarizar com a linguagem cartográfica.
            Quando trabalhamos com a redução do espaço estudado e sua representação, a criança visualiza a necessidade de proporcionalidade, por exemplo, a rua em que ele caminha para chegar à escola, é mais larga e maior do que a escola, a escola é maior do que sua casa etc. Ao perceber esses conceitos através do entendimento de o que é proporcionalidade que constrói uma ação reflexiva a que se referia Piaget, que é a construção do pensamento da criança pela ação.
Sendo assim, somente através de mapear e não de pintar mapas que se dá o verdadeiro aprendizado, não somente no ensino de Geografia, mas abrangendo uma série de matérias. É importante que a criança concretize o abstrato para que possa realmente entender o conteúdo transmitido pelo professor. Tudo precisa fazer sentido para que a crianças venha assimilar, a aprendizagem torna-se mais fácil e significativa e é esse o verdadeiro papel da escola.

            Três aspectos devem ser considerados: função simbólica, conhecimento da utilização do espaço, espaço a ser representado. A função simbólica surge por volta dos dois anos de idade com o aparecimento da linguagem, que acontece com a compreensão do símbolo com representação gráfica. O conhecimento da utilização do espaço, antes de ser leitora de mapas, a criança deverá agir com mapeadora de seu espaço, construindo noções do espaço a partir de seu cotidiano. É necessário levar em consideração o espaço vivido, ou seja, o espaço físico vivenciado através de movimentos ou deslocamentos, aprendido através de brincadeiras; também sendo necessária a noção de espaço percebido, por exemplo, o fato de a criança lembrar-se do caminho percorrido de casa até a escola, percebendo o aqui e o acolá; por volta dos 11 e 12 anos se começa a compreender o espaço concebido, sendo possível estabelecer representações de uma área retratada sem tê-la visto antes.
                Cabe à escola saber trabalhar a exploração do espaço, a noção de espaço ocorre desde o nascimento, através de experiências que a criança realiza em seu entorno ao ser acariciada, segurada no colo e muitos outro fatores, com isso mesmo sem perceber, ela vai sentindo o espaço. Num processo contínuo, em alguns meses  o bebê conquista cada vez maior domínio sobre o espaço ao conseguir rolar, arrastar-se, engatinhar e finalmente andar. À medida em que a criança for crescendo, reconstruirá o espaço próprio dos adultos, pois estará constantemente voltada para o espaço exterior como móveis , ruas, casas, praças, campos e montanhas.
                A criança em idade escolar prefere brincadeiras que limitam a parte do pátio da escola porque não conseguem ocupar um espaço tão grande. Na verdade, não conseguem concebê-lo para poder organizá-lo. O mesmo se dá na organização do espaço gráfico, quando a criança ao receber uma folha de papel em branco limita-se a usar apenas uma de suas partes.Com isso, mesmo sem preceber,  a criança vem conquistando o espaço aos poucos e cabe a escola saber como trabalhar o conceito espacial, que infelizmente no ensino de Geografia, vem sendo trabalhado de maneira errônea ultimamente.

 
Imagem disponível em: <http://flourish.org/upsidedownmap/>. Acesso em: 08/10/11.


Referências

ALMEIDA, Rosângela D. de; PASSINI, Elza Y. O espaço geográfico: ensino e representação. 16 ed. São Paulo: Contexto, 2010.

PIAGET, Jean. Formação do Símbolo na Criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Educação como comida ou veneno?

Por Fabiana Aquino

             Com base nos textos de Marilene de Carvalho apresentados logo a seguir é possível refletir sobre o que a escola está oferecendo às nossas crianças, jovens e até mesmo adultos. Educação como comida saudável ou como veneno indigesto? Vamos descobrir? Uma boa reflexão parte de uma boa leitura. Leia como um apetitoso petisco!

 

Receita de Alfabetização

Ingredientes:
1 criança de 6 anos
1 uniforme escolar
1 sala de aula decorada
1 cartilha

Modo de Preparo:
            Pegue a criança de 6 anos, limpe bem, lave e enxágüe com cuidado. Enfie a criança dentro do uniforme e coloque-a sentadinha na sala de aula (decorada com motivos infantis). Nas oito primeiras semanas, sirva como alimentação e exercícios de prontidão (aqueles exercícios de pontilhados onde o aluno passa o lápis por cima). Na nona semana ponha a cartilha nas mãos da criança. 
Atenção: tome cuidado para que ela não se contamine com o contato de livros, jornais, revistas e jornais outros materiais impressos que não sejam o da escola.

Abra bem a boca da criança e faça com que engula as vogais. Depois de digeridas as vogais, mande-a mastigar uma a uma as palavras da cartilha. Cada palavra deve ser mastigada no mínimo sessenta vezes. Se houver dificuldade para engolir, separe as palavras em pedacinhos.
Mantenha a criança em banho-maria durante quatro meses, fazendo exercícios de cópia. Em seguida, faça com que a criança engula algumas frases inteiras. Mexa com cuidado para não embolar.
Ao fim do oitavo mês, espete a criança com um palito, ou melhor, aplique uma prova de leitura e verifique se ela devolve pelo menos 70% das palavras e frases engolidas.
Se isso acontecer: Considere a criança alfabetizada. Enrole-a num bonito papel de presente e despache-a para a série seguinte.
Se isso não acontecer: Se a criança não devolver o que lhe foi dado para engolir, recomece a receita desde o início, isto é, volte aos exercícios de prontidão. Repita a receita quantas vezes for necessário. Se não der resultado, ao fim de três anos enrole a criança em um papel pardo coloque um rótulo: “aluno renitente”.

Alfabetização sem Receita

Modo de Preparo:


         Pegue uma criança de seis anos ou mais, no estado em que estiver, suja ou limpa, e coloque-a numa sala de aula onde existam muitas coisas escritas para olhar, manusear e examinar.
            Sirva jornais velhos, revistas, embalagens, anúncios publicitários, latas de óleo vazias, caixas de sabão, sacolas de supermercado, enfim tudo o que estiver entulhando os armários de sua casa ou escola e que tenha coisas escritas.
Convide a criança para brincar e ler, adivinhando o que está escrito. Você vai descobrir que ela sabe muita coisa!
Converse com a criança, troque idéias sobre quem são vocês e as coisas de que gostam ou não. Depois escreva no quadro algumas coisas que foram ditas e leia para ela.Peça à criança que olhe as coisas escritas que existem por aí, nas ruas, nas lojas, na televisão. Escreva algumas dessas coisas no quadro.
Deixe a criança cortar letras, palavras e frases dos jornais velhos. Não esqueça de pedir para que ela limpe a sala depois, explicando que assim a escola fica limpa.
Todos os dias leia em voz alta alguma coisa interessante: historinhas, poesia, notícia de jornal, anedota, letra de música, adivinhação, convite, mostre numa nota fiscal algo que você comprou, procure um nome na lista telefônica. Mostre também algumas coisas escritas que talvez a criança não conheça: dicionário, telegrama, carta, livro de receitas.
Desafie a criança a pensar sobre a escrita e pense você também. Quando a criança estiver tentando escrever, deixe-a perguntar ou ajudar o colega. Aceite a escrita da criança. Não se apavore se a criança estiver “comendo” letras. Até hoje, não houve caso de “indigestão alfabética”.
Invente sua própria cartilha, selecione palavras e textos interessantes e que tenham que ver com a realidade da criança. Use a capacidade de observação, sua experiência e sua imaginação para ensinar a ler. Leia e estude sempre e muito.

Referência

CARVALHO, Marilene. Alfabetização sem receita e receita sem alfabetização. Centro de Aperfeiçoamento de Profissionais da Educação, Ano IV, jan/fev.1994. 


Disponível em: <http://gatodeallice.blogspot.com/>. Acesso em: 0810/11.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Alfabetizar é possível

          Por Fabiana Marques de Aquino


            Começo fazendo uma reflexão e ressaltando a maneira de como está acontecendo o ensino e a alfabetização hoje nas escolas, e peço que ao ler este texto, nós estudantes de pedagogia e professores possamos pensar sobre o futuro que estamos construindo, e que muitas vezes tratamos as crianças de maneira mecânica. Como diz Paulo Freire, ficamos apenas depositando conteúdo em suas cabeças e as impossibilitando de serem criativos e produtivos, e acabamos por transformá-las em simples, empobrecidos e reprodutores de conceitos ou de conteúdos do qual eles nem sequer compreendem o sentido ou entendem o porquê de estar fazendo determinadas tarefas ou atividades na escola.
Temos que pensar em como estamos excluindo e impossibilitando a educação, massacrando os alunos com apostilas e métodos e enfatizando a postura de sujeitos passivos. Quando na verdade podemos incluir trazendo a vida social para dentro da escola, ou seja, trabalhar com a realidade das crianças e do momento em que vivemos, o que por muitas vezes acaba sendo difícil para o professor, porque trabalhar o novo carrega conflitos. O professor deve perceber e aceitar que ele não sabe tudo, mas é difícil assumir esta postura, pois a maioria dos professores acham que se assumirem como sujeitos em contínuo desenvolvimento e aprendizagem será o mesmo que rebaixá-los. O processo leva tempo, mas reflito que temos que começar a repensar sobre a nossa prática hoje e agora!
Acredito que a educação e a alfabetização tem que ser trabalhada para a libertação, onde nós professores possibilitaremos aos alunos uma construção de mundo onde eles percebam que tem o poder, que em seu aprendizado ele possa ver significado e ter a sua leitura de mundo mais crítica e instrumentalizada, com base e referência, e o professor é quem pode ajudar o aluno mediando este processo contínuo de aprendizado. O caminho que a educação está seguindo pode incluir ou excluir o aluno, ou seja, podemos incentivar a autonomia dos alunos ou podemos silenciá-los. Com isto destaco estas palavras de Paulo Freire em seu livro “Educação e Mudança” onde ele coloca que:


"Somente um ser capaz de sair do seu contexto, de 'distanciar-se' dele para ficar com ele, sendo capaz de admirá-lo para, objetivando-o, transformá-lo e, transformando-o, saber-se transformado pela sua própria criação, um ser que é e esta sendo no tempo que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz por tudo isto, de comprometer-se" (pág.17, edição 9, Ed. Paz e Terra).


O professor que conseguir se comprometer com a educação e acreditar que ele pode mudar, saindo da alienação em que por vezes o sistema o colocou, este sim conseguirá dar aos seus alunos a esperança; quem age assim estimulará o fazer autônomo dos alunos para a construção de seus próprios conhecimentos, pois assim serão capazes de se transformarem em indivíduos críticos e reflexivos no mundo em que vivem!





Disponível em: < https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgICMePUskXtyHkRj7GPldRjhJZG9UyPn-qmRGEp6uOrw4HoADzSdAN7uUuV7LC9JvcU3Irebi1RG73z0xNJxo65MxpZU5EHtkVJpN3UKIQaoqUO8oBraDDCc1mw-8Xy6_3J7v-akHqEpF3/s1600/mudar_o_mundo.jpg>.
Acesso em: 05/10/11.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Gente Humilde - Vinicius de Moraes, Chico Buarque & Garoto



Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Z_BC-NUqkgw>.
Acesso em: 05/10/11.

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece
De repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a tudo, quando eu passo
Num subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem
De algum lugar
Aí me dá uma inveja
Dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada, escrito em cima
Que é um lar
Pela varanda, flores tristes
E baldias
Como a alegria que não tem
Onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito de eu não ter
Como lutar
E eu não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar...



 Canção foi composta em 1969 por Chico Buarque de Hollanda, Vinicius de Moraes e Garoto. Essa música expressa todo o sentimento de gratidão por toda uma história de vida vivida em um bairro humilde e simplório. A tristeza que o autor sente é por ver que toda essa gente é esquecida pelo sistema, pelos políticos e assim vão vivendo aos trancos e barrancos, dando sempre um jeitinho de sobreviverem com o mínimo mas sempre estampando um sorriso e a esperança de que algum dia toda essa situação irá mudar.

Por Amanda Piraino

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Invisibilidade da cidadania brasileira

Disponível em: <http://lh4.ggpht.com/_XXCl6n58AFk/TFCHs458XbI/>.
Acesso em: 18/10/2011.

 Por Giselle Stefanelli de Lima

            A cegueira não é apenas uma doença física e orgânica. A invisibilidade virou repertório até o exato momento, mas não se deve acostumar-se com esta imagem opaca, pois a cegueira por mais que não permita enxergar com a visão,  é possível enxergar por outros sentidos ficando ainda mais refinada a percepção do mundo, afinal quem não enxerga a não efetivação das políticas sociais básicas em nosso país? A invisibilidade percorre solta, mas é visível o não suprimento das necessidades básicas.
            Para o intelectual Milton Santos em O Espaço do Cidadão (2000) a forma “superior” de capitalismo é uma das principais cegadoras, tentando cegar a população de seus direitos e até de seus deveres, ou seja, da concretização da cidadania plena (p. 6). Vive-se ainda no território nacional uma cidadania incompleta, ou melhor, praticamente invisível de tão pequena que mal aparece. O Brasil vive ainda hoje o Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago (1995).
            Será que há cidadãos neste país? (SANTOS, 2000, p. 7). Realmente se percebe que a dignidade está bem longe e a economia que movimenta o mundo capitalista é míope. É um absurdo saber que as pessoas da mesma espécie se destroem e algumas falarem que é o destino, sendo que os mais fortes prevalecerão sobre os mais fracos, é a seleção natural que faz parte da História. Será mesmo só isso? A falta de cidadania é oriunda da seleção natural ou da seleção de classes?
            Quem ama a existência não quer viver como se fosse de outro planeta, às vezes seria até melhor se fosse possível, quem sabe em um planeta não míope a vida seria mais digna? Perguntas, sem respostas, porém sempre em busca de uma explicação – não aquelas esfarrapadas das marionetes do sistema capitalista e da visão meramente neoliberal –, mas respostas que realmente recuperem a visão nem se for em partes da esperança pela vida.
            Só quem vive em si para com o outro enxerga a beleza das relações humanas não classificatórias pelo o que fazemos, mas pelo o que somos. “O respeito ao individuo é a consagração da cidadania” (SANTOS, 2000, p. 7), como seria aprazível se desde a tenra idade a sociedade investisse na educação informal, não-formal e formal de maneira realmente ética, seguindo uma moral utópica pela existência humana amorosamente possível e não neoliberal. A vida com certeza seria mais visível se o capitalismo usa-se lentes corretivas não invisíveis.

 
REFERÊNCIA


 SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. 5 ed. São Paulo: Studio Nobel, 2000. 142 p.  

 SARAMAGO, José. O ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 310 p.

Carta para Meu Pai...

        Por Geisana Mendes e Silva

            Eu não sei se você se lembra, mas quando nos falamos pela última vez eu tinha onze anos e me recordo de ter lhe perguntado se você já sabia ler, você me disse que sim, mas eu, com tudo aquilo que eu já conhecia do mundo dos adultos sabia ou sentia que você não estava falando a verdade. Eu era muito criança e não poderia lhe questionar; eu sei.  
Hoje, depois de tanto tempo eu retorno com essas linhas para lhe dizer o que eu não pude naquela época.
Talvez você não saiba como estou agora, pois nos afastamos muito e quando eu penso em você vejo duas pessoas tão ligadas pela força do destino, mas tão distantes, como se fôssemos dois estranhos livres de qualquer culpa por tudo que tenha acontecido.
Eu cresci me casei, não tive filho. Por quê?
Porque não estou preparada para isso, não é o que busco para o agora. Não preciso desta condição de mãe para me sentir feliz e realizada, ainda não.
Algo muito maravilhoso aconteceu na minha vida, eu comecei a estudar e foi a melhor coisa que fiz.
A universidade me trouxe uma visão de mundo que eu não tinha antes e principalmente em relação aos outros, as pessoas, como sendo únicas e em constante mudança e crescimento.
 A Pedagogia tem um grande foco no desenvolvimento infantil, mas nesse semestre eu vi que é algo muito mais abrangente, nós temos uma disciplina sobre EJA (Educação de Jovens e Adultos) e é justamente esse o motivo desta carta.
Eu gostaria muito que você voltasse a estudar. Talvez você pense que já está com a idade muito avançada, que não precisa disso porque tem pessoas à sua volta que lhe auxiliam quando você precisa. Mas imagine como seria maravilhoso poder agir por conta própria, pegar um ônibus sozinho sem precisar que alguém lhe avise quando ele está chegando ou entrar no supermercado e reconhecer o preço das coisas sem precisar ficar perguntando para as pessoas.
Leria os cartazes, os remédios, as marcas. Teria um mundo inteiro só para você. Que mágico seria.
Posteriormente faria um curso e conseguiria um emprego melhor, não que a pescaria não seja digna, mas você tem a capacidade de conseguir algo que lhe faça crescer a cada minuto, algo que lhe tire da mesmice de todos os dias e dessa sorte necessária para pescar. Certamente ser pescador exige muita sorte até mais do que técnica.
Se você escrevesse a distância entre nós certamente seria bem menor, pois você nunca respondeu as minhas cartas, nunca se quer mandou um cartão de natal e isso sempre me magoou muito.
Pai volte para a escola. Eu nunca lhe pedi nada e hoje depois de tantos anos estou aqui na condição de professora porque quero o melhor para você e por tudo de bom que a escola me trouxe. Você vai perceber que não estou falando bobagem, no começo será estranho eu sei, mas depois haverá tanta familiaridade com as letras, as palavras, a escrita que você não poderá mais viver sem isto. Fará parte de você ler, escrever em todo e qualquer lugar.
Volte pai... eu te amo.
  
(fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKUMWq0CsjII7fdLMg35ktPY5FxGvdXZJiiO-w2GGP3GqGMji1hGWrddQ1XWuZXUG3dBUa8Hp7bBO2Q1FptfsCiEo5LuuAEsmxCHVPru9Q31B8kG_bvP0po054xU25M5PcU0qOZooJkz7F/s1600/Pai+e+filha.jpg)
                             
                                         
A docente Marta Regina de Paulo propôs ao grupo que escrevessem sobre a Educação de Jovens e Adultos e com isso surge esta carta que foi apresentada no 3º semestre de 2010 no curso de Pedagogia com a temática da Educação de Jovens e Adultos com o docente Edson Fasano. A mensagem foi direcionada a uma pessoa muito querida, alertando sobre a importância de se acreditar que nunca é tarde para recomeçar a estudar.